Estoque

Controle de desperdício no restaurante: como medir e reduzir

Desperdício que ninguém registra não existe no papel, mas existe no CMV. Medir é o primeiro passo para reduzir.

Equipe Cumbaru
Resumo em 30 segundos
  • Desperdício sai do bolso e entra no CMV: o que foi comprado e não virou prato continua pesando.
  • Quatro tipos: pré-preparo, sobra de produção, vencido e erro de porção. Cada um tem remédio diferente.
  • Registre no dia, com motivo e quantidade. Depois transforme em reais e olhe o maior item.

Controle de desperdício no restaurante é registrar, no dia em que acontece, tudo o que foi comprado e não virou prato vendido: o que venceu, o que sobrou da produção, o que caiu e o que foi servido a mais. Com quantidade, motivo e valor em reais. Sem isso, o desperdício aparece só como um CMV mais alto que o esperado, sem pista de onde veio.

Desperdício é dinheiro: como ele entra no CMV?

O CMV é estoque inicial mais compras menos estoque final. Tudo que você comprou e não está no estoque final foi para o prato ou para o lixo. A conta não separa um do outro. Se a perda não é registrada, ela se mistura com o consumo e o CMV sobe sem explicação.

Um exemplo com números inventados para a conta: um mês de faturamento de R$ 80.000,00 e perda registrada de R$ 457,60. Esse valor equivale a 0,57 ponto percentual do CMV (R$ 457,60 ÷ R$ 80.000,00). Parece pouco, mas é a perda que você enxergou. A que ninguém lançou está dentro do CMV, escondida. Para ver a conta completa, leia como calcular o CMV.

O ganho de registrar é a comparação: o CMV que a ficha técnica prevê, menos o CMV real do estoque, é a diferença a explicar. A perda registrada explica uma parte. O que sobra sem explicação é o próximo alvo.

Quais são os 4 tipos de desperdício?

Cada tipo nasce num lugar diferente da cozinha e se resolve de um jeito diferente.

Os 4 tipos de desperdício
TipoOnde nasceRemédio
Pré-preparoCasca, osso, gordura, aparasFator de correção na ficha
Sobra de produçãoFez mais do que vendeuProduzir pelo que vende
Vencido ou estragadoComprou demais ou armazenou malEstoque mínimo e FEFO
Erro de porçãoA mão serviu mais que a fichaPesar, padronizar, treinar

1. Pré-preparo

É a perda que já existe antes de cozinhar. Alface limpa, filé aparado, cebola descascada. Ela não é desperdício a eliminar por completo; é perda a conhecer e colocar na ficha técnica como fator de correção.

Exemplo: você compra 5 kg de alface a R$ 9,00 o quilo, e depois de lavar e descartar folhas ficam 3,5 kg aproveitáveis.

  • Gasto: 5 kg × R$ 9,00 = R$ 45,00
  • Fator de correção: 5 ÷ 3,5 = 1,43
  • Custo do quilo aproveitável: R$ 45,00 ÷ 3,5 = R$ 12,86

O quilo que chega ao prato custa R$ 12,86, não R$ 9,00. Se a ficha usa R$ 9,00, o prato parece mais barato do que é. O fator de correção explica como calcular e usar.

2. Sobra de produção

Preparo feito a mais e jogado fora. Molho, massa, arroz, caldo. Exemplo: o molho de tomate saiu em lote de 10 litros, vendeu-se 8 e 2 litros foram descartados. A R$ 14,00 o litro, são R$ 28,00 por lote.

O remédio é produzir pelo que vende. Se o molho sobra toda terça, o lote de terça é grande demais.

3. Vencido ou estragado

É o desperdício mais fácil de enxergar e mais caro por unidade, porque inclui carnes e laticínios. Exemplo: 1,5 kg de muçarela vencida a R$ 42,00 o quilo, ou R$ 63,00. Se acontece toda semana, a compra está grande demais ou a mercadoria não sai pela ordem certa (veja PEPS e FEFO).

4. Erro de porção

O desperdício invisível. Ninguém joga nada fora, mas a mão serve mais que a ficha. Exemplo na pizza: a ficha diz 100 g de muçarela e a mão serve 110 g. Com a muçarela a R$ 42,00 o quilo, 10 g custam R$ 0,42. Em 60 pizzas por dia, 26 dias por mês:

  • 60 × 26 = 1.560 pizzas
  • 1.560 × R$ 0,42 = R$ 655,20

Parece pouco por pizza. No mês, é mais que toda a perda de vencido e sobra do exemplo acima.

Como registrar a perda no dia, com motivo?

O registro vale quando é feito na hora, em menos de 20 segundos. Cada linha precisa de quatro dados:

  • O quê: o insumo (ou preparo).
  • Quanto: quantidade e unidade.
  • Por quê: motivo, de uma lista curta (vencido, estragou, caiu, queimou, sobra, erro de preparo).
  • Quando: a data, para somar por semana.

Com isso, o valor em reais sai da conta quantidade × custo. Veja um exemplo de uma semana:

Perdas de uma semana
DiaItemQuantidadeMotivoValor
SegundaAlface1 kgEstragouR$ 9,00
TerçaMolho de tomate2 LSobraR$ 28,00
QuartaMuçarela1,5 kgVencidoR$ 63,00
QuintaFrango0,8 kgCaiuR$ 14,40
TotalR$ 114,40

Frango a R$ 18,00 o quilo: 0,8 × 18,00 = R$ 14,40. Somando: 9,00 + 28,00 + 63,00 + 14,40 = R$ 114,40 na semana. Se as quatro semanas parecerem com essa, são R$ 457,60 no mês.

O motivo é o que ensina. Três “vencido” seguidos no mesmo item pedem compra menor. Muitos “sobra” na mesma preparação pedem lote menor. O valor sozinho não aponta o remédio.

Metas e o que fazer com o número

Meta sem base é chute. Primeiro meça por 4 semanas, depois decida. Um jeito simples é comparar a perda registrada com as compras do mês.

Exemplo: compras de R$ 22.000,00 e perda de R$ 457,60. É 2,1% das compras (457,60 ÷ 22.000,00). Você define a meta de baixar para 1,5%: R$ 22.000,00 × 1,5% = R$ 330,00. A diferença de R$ 457,60 para R$ 330,00 é R$ 127,60 por mês que volta para o caixa. Os números são exemplo; a sua meta sai das suas compras.

Com o registro nas mãos, o roteiro semanal é curto:

  1. Ordene as perdas por valor em reais, não por quantidade.
  2. Pegue o maior item e pergunte qual dos 4 tipos ele é.
  3. Aplique o remédio daquele tipo e confira na semana seguinte.

Se mesmo assim o CMV continuar alto, o roteiro está em CMV alto: o que fazer.

Planilha de desperdício ou registro por mensagem?

Uma planilha de desperdício funciona: colunas de data, item, quantidade, motivo e valor, com uma soma por semana. A planilha de controle de estoque grátis tem uma aba de saídas e perdas pronta para isso.

O ponto fraco da planilha é a hora do lançamento. A perda acontece de pé, na estação, com a mão suja. Se lançar exige ir ao computador, a anotação vai para o fim do dia e a metade se perde. Registrar por mensagem tira esse atrito.

O Cumbaru não registra produção pelo WhatsApp e os alertas de estoque ficam no app. A perda, a entrada, a contagem e o saldo (“quanto tem de tomate?”) funcionam por mensagem. O fluxo completo está em controle de estoque pelo WhatsApp.

Como o controle de desperdício se encaixa no resto?

Ele é uma peça do controle de estoque, não um projeto à parte. Entrada, perda e contagem formam o ciclo: a contagem mostra a diferença, a perda registrada explica parte dela, e o resto é porção ou erro. Para montar o ciclo do zero, comece pelo guia de controle de estoque e pelo inventário. Para operação com pouca gente, há o texto de estoque para restaurante pequeno. Se está comparando ferramentas, veja como escolher um aplicativo de controle de estoque.

Perguntas frequentes

Qual o desperdício aceitável em um restaurante?

Não há número único que valha para todos. Depende do cardápio e do tipo de operação. Meça por 4 semanas, compare a perda com as compras do mês e defina uma meta de redução sobre o seu próprio ponto de partida.

Perda de pré-preparo (casca, osso) conta como desperdício?

É perda esperada, e deve estar na ficha técnica pelo fator de correção. Se está na ficha, não é registrada como perda do dia. O que entra no registro é o que passou do esperado.

Como calcular o custo do desperdício?

Quantidade perdida × custo do insumo. Se perdeu 1,5 kg de muçarela a R$ 42,00 o quilo, a perda é R$ 63,00. Some por semana e por motivo.

Como reduzir desperdício sem mexer no cardápio?

Pelos quatro tipos: ajustar mínimo e FEFO para o vencido, produzir pelo que vende para a sobra, pesar a porção para o erro e corrigir o fator na ficha para o pré-preparo.

Preciso de sistema para controlar o desperdício?

Não. Planilha com data, item, quantidade, motivo e valor serve. O sistema compensa quando mais de uma pessoa lança e o lançamento na hora faz diferença.

Planilha grátis

Baixar planilha